quarta-feira, 15 de outubro de 2008

ARGOBE


Uma região em Basã, a nordeste da Transjordânia. De acordo com Dt 3:14, fazia fronteira com Gesur e Maaca e nos seus limites existiam sessenta cidades fortificadas (Dt 3:4). Foi conquistada a Ogue, rei de Basã, no tempo de Moisés (Dt 3:4, Dt 3:13, Dt 3:14) e no tempo de Salomão formou um sub-distrito de uma das doze áreas administrativas em que o reino foi dividido para fins fiscais (1Rs 4:13). A identificação desta área continua incerta. Foram sugeridas várias identificações divergentes mas nenhuma delas foi conclusiva. Será apenas seguro dizer-se que esta área se situa algures perto do Rio Iarmuque.

AREÓPAGO - Areios pagos; de Ares, “Marte” e pagos “monte”.


Nome de um monte rochoso e estéril, a noroeste da Acrópole na antiga Atenas, indicando que o monte era dedicado a Ares, o deus da guerra (Marte para os romanos) e, por isso, traduzido por “Monte de Marte” (At 17:22). A cordilheira de pedra calcária, elevando-se a cerca de 15 a 18 metros acima do vale onde se situam o Areópago e a Acrópole, situa-se a 113 metros acima do mar. Na altura em que era um reino, foi sede da corte suprema de justiça, que tinha jurisdição para julgar certos crimes, incluindo ofensas religiosas. O estatuto legal e a autoridade deste Conselho do Areópago nem sempre foi o mesmo em toda a história de Atenas mas, sob administração romana, tornou-se mais poderoso do que alguma vez o fora. Entre os poderes que tinha, encontravam-se o licenciamento de professores e o controlo da educação. Manteve-se em exercício até ao ano 400 DC. O tribunal procedia aos julgamentos em Stoa Basileios, no agora, o “mercado”. Era esta a sua sede oficial e era ali que se situavam as suas repartições administrativas. As sentenças, contudo, eram pronunciadas a partir do monte, para onde e com esse propósito o tribunal adiava as suas sessões.
Os comentaristas têm sugerido que Lucas, ao declarar que Paulo se encontrava “no meio do Areópago” (At 17:19), quereria dizer que o apóstolo terá sido levado até lá para defender os seus ensinos. Comentou-se que: 1) Paulo foi levado até ao monte para que, daquele elevado lugar, as pessoas o pudessem perceber melhor do que se ele tivesse ficado no agora cheio de gente; 2) Paulo foi levado perante o Concílio do Areópago, em Stoa Basileios, uma vez que os filósofos desejavam atribuir um maior significado ao discurso de Paulo e que lhe não seria dado se o apóstolo o pronunciasse no mercado aberto. Este ponte de vista foi proposto, pela primeira vez, por E. Curtis em Paulo em Atenas e 3) Paulo teria que ser examinado por este corpo de filósofos, em Stoa Basileios, antes de lhe poder ser atribuída uma licença que o habilitaria a ser reconhecido como professor estrangeiro. Esta última posição foi sustentada por Sir William Ramsay. Não será fácil provar que se deu uma mudança de local - do agora para o Areópago - e os pontos de vista de Curtis e Ramsay não obtiveram grandes apoios porque o que se passou não envolvia qualquer procedimento legal e os filósofos daquele tempo não se mostraram muito impressionados com o apóstolo. O mais forte argumento a favor da posição que diz que Paulo proferiu o seu discurso no monte sob a Acrópole e não na Câmara do Concílio, no agora, é a frase do versículo 19, que diz que eles o trouxeram epi ton Areion pagon e em que epi significará “sobre” e não “em” ou “dentro de”. Deste modo, o primeiro dos três pontos de vista mencionados poderá ser considerado como o mais plausível

ARABE - Heb. ’Arab.


Uma cidade no sul de Judá (Js 15:52) que foi identificada com a actual er-Râbiyeh, a cerca de 11 km a sul de Hebrom.

ARÃ

Alto, ou região de altitude elevada e, como nome de país, indica a zona que vai desde o nordeste da Palestina até ao Eufrates. Corresponde geralmente à Síria e Mesopotâmea dos Gregos e Romanos. Em Gn 25:20; Gn 31:20, 24 e Dt 26:5, a palavra "sírio" corresponde, mais propriamente, a "aramaico". Damasco tornou-se, com o tempo, a capital de vários pequenos reinos compreendidos sob a designação de "Arã" ou "Síria".

APOLÓNIA - Gr. Apollonia, “pertencente a Apolo”.


Uma cidade da Macedónia, a cerca de 48 km a oeste de Anfípolis, na Via Egnatia, a famosa estrada romana. Paulo passou por esta cidade durante a sua segunda viagem missionária, quando se dirigia para Tessalónica, via Filipos e Anfípolis.

ANTIPATRIS - Gr. Antipatris.

Uma cidade situada entre Jerusalém e Cesareia, fundada por Herodes, o Grande, num local denominado por Afeque, a cerca de 62 km de Jerusalém e 38 km de Cesareia. Foi-lhe dado este nome em homenagem ao pai de Herodes - Antipater. O seu nome continua vivo em Nahr abu-Futrus, um rio a nordeste de Jafa. O local chama-se, actualmente, Râs el-‘Ain, (ver Afeque). Paulo passou por aqui, quando foi levado como prisioneiro de Jerusalém para Cesareia
ANTIOQUIA - Gr. Antiocheia.

Aparecem no NT duas cidades com este nome.

1.) Antioquia da Pisídia. Na verdade, esta cidade situava-se na Frígia, perto da fronteira com a Pisídia. Para a distinguir da outra Antioquia, os historiadores chamavam-lhe, muitas vezes, “Antioquia Pisidiana”. Contudo, ainda se nota alguma confusão na literatura antiga e moderna sobre este assunto.
Antioquia da Pisídia foi fundada por Seleuco I Nicator (301-208 AC), chamando-lhe Antioquia em homenagem ao seu pai, Antíoco e aí instalando colonos. Após a derrota dos Seleucidas, pelos romanos em 190 AC, Antioquia tornou-se numa cidade livre mas 150 anos depois foi dada a Amyntas, rei da Pisídia e Galácia. Quando a Galácia passou a ser considerada uma província romana, em 25 DC, Antioquia tornou-se numa parte desse reino. Alguns anos mais tarde, Augusto fez dela uma colónia, tendo-lhe sido acrescentado o nome de Cesareia. Estava ligada a outras cidades coloniais da Pisídia por estradas militares, através das quais se controlava esta área. Perto da cidade, encontrava-se um grande templo, que foi recentemente escavado e que era dedicado a Mên, o deus-lua frígio, a quem eram atribuídos poderes curativos. Estavam-lhe adstritos inúmeros servos e propriedades. Paulo e Barnabé pregaram nesta cidade durante a sua primeira viagem missionária e aí fundaram uma igreja cristã (At 13:14-50; 2Tm 3.11). Foram, mais tarde, expulsos da cidade mas voltaram depois, quando se dirigiam para a Síria (At 14:21). Arundel identificou a antiga cidade (1833) como situando-se perto da cidade turca de Yalvaç. As ruínas de Antioquia foram parcialmente escavadas e alguma da sua antiga magnificência foi, assim, recuperada.
2.) Antioquia da Síria. Esta cidade situa-se na margem sul do Rio Orontes, a cerca de 24 km do Mediterrâneo, perto dos Montes Amano e Casio. Foi fundada por Seleuco I Nicator, por volta de 300 AC, tendo-lhe ele chamado Antioquia em homenagem ao seu pai Antíoco. Numa parte da cidade estavam instalados os atenienses e os macedónios e na outra os naturais da cidade. Mais tarde, Seleuco II e Antíoco IV expandiram a cidade, fazendo nela instalar novos colonos, entre os quais se encontravam alguns judeus. A cidade cresceu rapidamente e, sendo a residência dos Seleucidas, tornou-se numa rica cidade comercial e num importante centro de cultura helenística no oriente. Em 64 AC, após mais de dois séculos como capital do Império Seleucida e depois de um breve interlúdio de governação arménia, Antioquia passou para as mãos dos romanos, quando Pompeu anexou a Síria. Pompeu fez de Antioquia a capital desta nova província senatorial e a sede do embaixador romano. Deste modo, a cidade nada perdeu da sua importância. Era conhecida como “a Rainha do Oriente”, tornando-se na terceira metrópole do império e equiparando-se, em tamanho, a Roma e Alexandria. A sua população, nos tempos do NT, estimava-se entre as 250.000 e as 800.000 pessoas.
A religião cristã chegou a Antioquia com os membros da igreja de Jerusalém, que fugiam das perseguições que surgiram depois do apedrejamento de Estevão. Quando as novas da sua obra chegaram aos ouvidos dos líderes em Jerusalém, estes logo enviaram Barnabé, a fim de encorajar os novos conversos. Barnabé, vendo que era necessária mais ajuda, traz Paulo de Tarso e os dois, trabalhando em conjunto durante um ano, erigiram uma forte igreja cristã em Antioquia. Foi também ali que os seguidores de Cristo foram chamados cristãos pela primeira vez (At 11:19-26). A igreja foi, ainda reforçada na pessoa dos profetas (At 11:27). O importante passo seguinte na história desta igreja deu-se quando os cristãos de Antioquia patrocinaram a obra missionária organizada em países estrangeiros, enviando Paulo e Barnabé numa viagem missionária (At 13:1-3). Paulo considerava Antioquia como o seu quartel-General, tendo sido, também, desta cidade que o apóstolo partiu para as suas segunda e terceira viagens missionárias (>-41; At 18:22,23). Contudo, os cristãos de Antioquia sentiram a sua dependência relativamente aos líderes da igreja em Jerusalém e procuraram os seus conselhos (At 15:1,2). Aceitaram também a responsabilidade de ajudarem a igreja mãe na Judeia, enviando-lhe uma contribuição financeira em tempo de necessidade (At 11:27-30). Mais tarde, Antioquia foi palco de vários concílios da igreja.
A cidade foi destruída por Chrosroes, rei da Pérsia, em 538 DC e nunca recuperou deste golpe. Depois de ter sido conquistada pelos árabes um século mais tarde, perdeu rapidamente a pouca importância que ainda possuía. Pertence agora à Turquia e tornou-se numa simples cidade com cerca de 46.000 pessoas (1960), chamando-se actualmente Antâkiyeh. Foram levadas a cabo algumas escavações por parte de uma expedição franco-americana nos anos 30.